História do jogo do bicho
A estrutura de 25 animais que se usa hoje vem de lá; a conversão para números veio depois, quando o sorteio se descolou do zoológico.
Nota de procedência. Esta é a única página do site cujas datas não saem de código. Os números aqui — 1892, o nome do parque, o do fundador — são fato histórico em prosa, e estão marcados como tal. Todo o resto do site tem os números derivados dos pacotes de dados, como explicado em metodologia.
O zoológico de Vila Isabel
João Batista Viana Drummond, o Barão de Drummond, abriu um jardim zoológico no bairro carioca de Vila Isabel no fim do século XIX. O parque tinha custo de operação alto e público irregular.
Em 1892 ele criou um sorteio para dar motivo de retorno ao visitante: cada ingresso trazia a figura de um animal, e ao fim do dia um dos animais era revelado. Quem tivesse o ingresso com aquele animal recebia um prêmio.
De animal para número
O mecanismo era simples e virou hábito. Com o tempo o sorteio se descolou do parque e passou a circular pela cidade sem ingresso e sem zoológico — e foi aí que a lista de animais precisou virar lista de números, para poder ser apurada a partir de sorteios já existentes.
A estrutura que sobreviveu é a que se usa até hoje: 25 grupos, cada um com um animal e 4 dezenas, cobrindo as 100 dezenas de 00 a 99. Do grupo 01, Avestruz, ao grupo 25, Vaca.
O que ficou na língua
A herança mais visível não é o jogo, é o vocabulário. Expressões como deu no poste, na cabeça e seco circulam muito além de quem joga, e aparecem em música popular, em crônica e em conversa corriqueira.
As siglas de horário são outra camada dessa herança: PPT, PTM, PT, PTV e PTN carregam a tradição carioca no próprio nome, e continuam sendo usadas por gente que nunca ouviu falar de Vila Isabel. Ver extrações.
O enquadramento legal
Em 1941, o Decreto-Lei 3.688 — a Lei das Contravenções Penais — classificou o jogo do bicho como contravenção penal, no artigo 58. Essa é a situação jurídica vigente.
Ao mesmo tempo, o jogo permaneceu como objeto de estudo e de registro cultural: há bibliografia acadêmica, acervo de imprensa e produção artística sobre o tema há mais de um século. As duas coisas convivem, e é essa distinção que define o escopo deste site: descrevemos o fenômeno, não participamos dele.